terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um livro para um tempo de múltiplas vozes

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Livros foram, até hoje, a forma mais eficaz que a humanidade encontrou para absorver, armazenar e transmitir conhecimento. Eles se tornaram, ao longo da história, um meio de mitigar os limites de memória, inteligência e imaginação de cada um dos nossos cérebros. Lineares como o passar do tempo. Portáteis como nossas roupas. Íntimos como o pensamento. Houve quem quisesse queimá-los em nome de crenças políticas ou religiosas, quem quisesse transformá-los em tecnologia obsoleta e mesmo quem tentasse proclamar sua irrelevância no frenético mundo moderno. Mas os livros resistiram a todo tipo de ameaça e intempérie. Nunca se publicou tanto como hoje, nunca se venderam tantos livros.

Eis, então, que a tão festejada revolução digital, depois de abalar os negócios da música, das imagens e – naturalmente – das notícias, se abate sobre o universo dos livros. Sim, é verdade que um tablet como o iPad não tem aquele delicioso cheiro de papel. Mas, se você tiver as mesmas limitações oculares que o autor deste texto, sentirá o indescritível prazer de aumentar o tamanho da letra para tornar a leitura mais confortável. Ou de comprar um livro digital sem sair de casa e, em questão de minutos, ler o maior poema do século XX, The Waste Land, de T. S. Eliot, ao mesmo tempo em que escolhe se prefere ouvi-lo recitado pelo próprio autor ou por alguma dentre as outras tantas interpretações disponíveis. E no futuro ainda haverá, no novo formato, dezenas de compensações de outra natureza para a falta do cheiro do papel. Pelo menos é essa a promessa trazida por algo tão intangível quanto o conteúdo dos livros – mas, ao contrário dele, dinâmico e cambiante: os programas de computador.

Estaríamos, então, prestes a testemunhar a lenta derrocada dos livros impressos, derrubados gradualmente pelos softwares interativos para as tabuletas digitais? Difícil fazer previsões. O tempo continuará linear. O pensamento, talvez não. Mas as palavras continuarão sendo escritas e lidas, provavelmente, umas após as outras – recurso de que nem Eliot conseguiu se desfazer para fazer ecoar as múltiplas vozes de seu poema. Rupturas serão a província de criadores geniais como ele ou dos programadores que tornaram sua obra-prima mais acessível às novas gerações, por meio dessa nova forma de absorver, armazenar e transmitir conhecimento. Tomara que ela perdure tanto quanto o livro.

GUROVITZ, Helio. Carta do Diretor de Redação. Revista Época. Disponível em: http://cbld.com.br/blog/2011/07/um-livropara-um-tempo-de-multiplas-vozes/ (com adaptações)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Livro: O Vale do Terror

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Livro: Vale do Terror
Autor: Arthur Conan Doyle
Páginas: 184 
Editora: Martin Claret 


SinopseEm cem anos Sherlock Holmes tornou-se um dos três personagens mais famosos da literatura inglesa. Hoje Sherlock é tão popular no mundo inteiro que a palavra é empregada até como um adjetivo, designando alguém que tem habilidade na arte de investigar. Neste livro o leitor encontrará aventura de Sherlock Holmes; um verdadeiro banquete para os amantes da boa literatura de suspense e mistério.

O Vale do Terror tem início com Sherlock recebendo uma mensagem criptografada o avisando que um homem encontra-se em grande perigo de morte. Porém, pouco tempo depois de ele receber este aviso, o detetive MacDonald o procura pedindo ajuda para desvendar um homicídio que ocorreu em Birlstone com o mesmo homem que era mencionado na mesnsagem, logo, o que era apenas um aviso já havia se concretizado.
Sherlock, Watson e o detetive MacDonald se dirigem a Birlstone para tentar compreender o mistério por trás do assassinato de John Douglas. Como sempre Sherlock consegue resolver tudo da maneira menos convencional, ligando fatos que para qualquer pessoa seriam detalhes à parte, ele consegue desvendar o real mistério por trás da morte de John Douglas, concluindo assim a primeira parte do livro.

O Livro é dividido em duas partes: a primeira, 'A tragédia de Birlstone', que são os acontecimentos resumidos anteriormente, onde Sherlock desvenda o mistério do assassinato. E a segunda, 'Os Vingadores', que conta a estória por trás da estória, e explica o porquê da tragédia que ocorreu em Birlstone.

'Os Vingadores' é uma parte muito importante, pois explica as reais implicações que levaram ao caso de Birlstone, uma trama por trás da obra principal para que esta seja melhor compreendida de maneira geral. Os vingadores são um tipo de seita/instituição/irmandade que de certa forma transforma todos os seus participantes em assassinos de aluguel. No começo pode até não parecer, mas tudo se liga ao caso Birlstone e a leitura flui perfeitamente nos encaminhando a seu incrível e inimaginável desfecho.

Em geral, eu gostei de 'O Vale do terror' até por ser um dos poucos romances escritos por Sir Arthur Conan Doyle, que de forma geral escreve muito mais contos que romances; porém, preciso dizer que me surpreendi com o rumo que a trama tomou, assim que comecei a ler não imaginava que seria tão diferente, pois na segunda parte do livro, subtitulado de 'Os Vingadores', Sherlock Holmes simplesmente não aparece, e com certeza o leitor sente falta da sua genialidade. Mas apesar disso, depois de pouco tempo nos acostumamos a falta do Sherlock, e por ora até esquecemos do envolvimento inicial dele. Sherlock só volta no epílogo para concluir o desfecho geral da estória.
Apesar dos pesares, Os Vingadores foi uma estória com um enredo incrível; nas últimas páginas fiquei boquiaberta com o quanto Sir Arthur consegue manipular o leitor de forma que algumas vezes passamos longe de descobrir a verdade final. E concluindo de maneira incrível o caso inicial. Com certeza 'O Vale do Terror' é altamente recomendado para todos os Sherlocked(s) de plantão.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Livro: The Walking Dead - A ascensão do Governador

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Livro: The Walking Dead - A ascensão do Governador
Autores: Robert Kirkman e Jay Bonansinga
Editora: Galera
Páginas: 364

SinopseNo universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como "Vilão do ano", ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs irão descobrir como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação.

Confesso que não sei exatamente o que eu esperava desse livro. Eu assisto The Walking Dead há um tempo, e até já li algumas (poucas) hq's, conheço algumas dos personagens que ainda não apareceram na série, e sempre tive uma vontade enorme de conhecer o Governador desde que soube que ele foi eleito vilão do ano. Logo, quando a Galera anunciou que lançaria o livro fiquei com um desejo enorme de ler, mas quando comecei a ler, não sabia qual era exatamente a minha expectativa.

Não há como negar que a série de TV The Walking Dead é um grande sucesso. Porém, até o final da segunda temporada, não temos a ilustre presença de seu maior vilão, o Governador, pois o mesmo só aparecerá na série na terceira temporada, que estreará no dia 14 de outubro de 2012, e aqui no Brasil dia 16 de outubro (pela fox). 

Em A ascensão do Governador conhecemos a estória de Phillip Blake, a pequena Penny - sua filha - e seu irmão Brian que, com mais dois amigos tentarão sobreviver a praga que dominou a sua cidade. O livro começa com com o grupo tentando abrir caminho para chegar em Atlanta, onde há um suposto campo de refugiados, mas para isso eles precisam cruzar a cidade e percorrer um longo caminho até Atlanta, enfrentando vários mordedores pela estrada.

Mas nem tudo é o que parece ser, e as coisas não saem bem como planejadas. Novos planos precisam ser feitos, novas dificuldades serem superadas, e mais que tudo eles precisam encontrar um lugar seguro e livre da praga para tentar se estabilizar até tudo voltar ao normal, se é que voltará um dia.

O autor não poupa o leitor de nada. Ele narra as coisas como realmente são, descreve os personagens e suas angustias diante de tudo que acontece com precisão e de forma geral não deixa o livro perder o ritmo, pois quando tudo parece estar indo bem, acontece algo para atrapalhar a vida dos personagens.

O livro não fala de cara quem é o Governador, pois como o próprio título diz, a estória se trata de sua ascensão, a trajetória que o fez ser o homem que é, porque ele faz o que faz, mostra tudo pelo que ele passou até a frieza tomar conta de seu coração e alma. Creio que o autor tentou fazer com que todos apostassem todas as fichas em um personagem, depois fez alguns jogos para que duvidasses, e no final, alguns detalhes surpreende.

Eu gostei bastante do rumo que o enredo tomou. No começo achei um pouco previsível, [spoiler] pois, já que acompanho a série eu sabia o que esperava eles em Atlanta.[/spoiler] Mas logo após isso as coisas voltaram ao normal. Não achei violento ou assustador, mas acho que é porque já estou acostumadas com livros/filmes/séries assim, porém, talvez realmente seja para quem não esteja tão acostumado pelo menos com os hq's ou a série.

De forma resumida, The Walking Dead - A Ascensão do Governador é leitura obrigatória para fãs da série e dos hq's. Porém se você não se encaixa em nenhum dos dois grupos, mas gosta de terror e tensão razoáveis também é um bom livro para você.
"Nenhum homem escolhe o mal por ser mal, mas apenas por confundi-lo com felicidade, que é o que ele busca." - Mary Wollstonecraft

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Livro: Jogador N° 1

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Livro: Jogador N°1
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Páginas: 464



SinopseCinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência. A vida, os perigos, e o amor agora estão mais reais do que nunca. 

           O livro se passa em um futuro não muito distante (ano de 2045) e não muito improvável. O mundo que vivemos hoje não 'acabou' como acontece na maioria dos romances distópicos que conhecemos, o que acontece é que os combustíveis fosseis se esgotaram, logo, a sociedade atual se estagnou. A pobreza e miséria estão presentes nas ruas, até onde os olhos podem enxergar. Em mundo como esse, qualquer pessoa daria tudo para poder sair da realidade ruim para conhecer um lugar novo, um lugar melhor.
           Esse 'lugar melhor' existe. O OASIS foi criado por James Halliday, um geek que criou seu império a partir dos games. Depois do OASIS, as pessoas passaram a esquecer a realidade e passaram a estudar, trabalhar e se divertir logados ao OASIS. No OASIS tudo é possível, para acessar cria-se um avatar com a aparência desejada, um nick name, e a partir daí tudo é possível dentro do limite da sua conta. Em resumo o OASIS é um novo mundo, onde as pessoas podem se esconder da realidade.
           O livro começa com o testamento de James Halliday. Nele Halliday dá início a uma caça ao tesouro dentro do OASIS, onde, aquele que achar seu Easter Egg herdará sua fortuna, e será o novo proprietário do OASIS. Porém após 5 anos depois da morte de Halliday, ninguém encontrou nenhuma das chaves e portões que ele deixou escondidos pelo OASIS. A única coisa que Halliday deixou, para dar um pontapé inicial foi um tipo de enigma, mas, mesmo assim, passado os cinco anos ninguém conseguiu chegar a lugar nenhum por ele.
           Até que um dia um garoto normal de 18 anos, Wade (conhecido no OASIS como Perzival), finalmente consegue descobri o que o primeiro enigma significava, e assim, desperta novamente o espirito de caça de todos os caça ovos deste novo mundo, e a partir daí tudo muda drasticamente.

          Eu considero Jogador N°1 um livro para geeks, gamers, nerds de qualquer tipo, pessoas que amam os anos 80 e afins. Jogador N°1 desperta o nerd que existe dentro de cada um de nós, e sendo assim, e um livro adorado por quem o lê.
         Cheio de referências a cultura pop dos anos 80, incluindo todo tipo de série, bandas, games, filmes e tudo mais que é possível imaginar, com um enredo diversificado em vários pontos, e com muitas surpresas ao virar de cada página, é um livro inovador.
           Apesar da ideia de game ser um pouco batida para alguns e nada original para outros, eu considero a criação do Ernest Cline bem inovadora e diversificada em vários aspectos, e um deles é o ponto chave do livro: as referências. No livro, Halliday nos é apresentado como um adorador nos anos 80 por ter vivido nesta década sua adolescência, logo, é por esse motivo que toda a caça e voltada para dicas que apenas conhecedores/estudiosos da década de oitenta são capazes de descobrir.
           Alguns capítulos do livro são bem descritivos sobre algumas coisas e sobre como ou porque tais coisas aconteceram. Não nego que quando a explicação começa a ficar um pouco longa, começa a ficar um pouco tedioso, mas quando menos esperamos as coisas começam a acontecer novamente. E a leitura se torna aquela do tipo 'só vou ler mais esse capítulo...' e quando percebe já leu só mais uns cinco capítulos.
           De forma geral eu gostei bastante do livro e achei interessante a maneira como as coisas foram acontecendo até o desfecho da estória. Mas não acho que seja um livro para todos os gostos, então talvez algumas pessoas leiam e acabem não gostando tanto, mas, de qualquer forma sempre há esse risco.
           Então, se você quer ver citações à Star Trek, Star Wars, Doctor Who, Atari, O Feitiço a Áquila, Curtindo a vida adoidado e etc. Jogador N°1 e o livro para você.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Filme: Meia-Noite em Paris

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Gil (Owen Wilson) é um roteirista de Hollywood que está prestes a se casar com sua noiva Inez (Rachel McAdams). Os pais de Inez vão a Paris a negócios, e o casal decide acompanha-los.  
Gil sempre foi fascinado pelos grandes escritores americanos, e como trabalhar com roteiros não o está fazendo tão feliz ultimamente, apesar de ser uma profissão com boa remuneração, ele quer seguir outro rumo, ele quer ser escritor, um bom, como aqueles a quem ele sempre venerou.

Estar na Cidade da Luz faz com que o desejo de Gil, de mudar o rumo que a sua vida está tomando, se torne cada vez mais forte. 
Seu sonho era poder ter vivido nos anos 20, quando grande parte de seus escritores e artistas favoritos viviam como pessoas normais circulando pelas ruas de Paris. E, incrivelmente, em uma noite caminhando meio bêbado pelas belas ruas de Paris, Gil realiza seu sonho. E quando se da conta do que esta acontecendo, esta cara a cara com F. Scott Fiztgerald um de seus escritores favoritos dos anos 20.

Gil passa a viver seus dias criando expectativas para a noite. Toda noite á meia-noite ele vai para Paris dos anos 20, conversa e convive com F. Scott Fiztgerald, Ernest Hemingway, Pablo Picasso e Salvador Dalí. Durante o dia Gil começa a reescrever partes de seu livro, dedicando seu dia a isso para que a noite ela possa conhecer a Paris que sempre sonhou.

Meia-Noite em Paris é um filme bonito. O cenário é perfeito e consegue tornar tudo incrivelmente mais belo do que já é. A base que o filme tem com todos os escritores/pintores (artistas em geral) é ótima para aprofundar razoavelmente a questão das artes, tornando os diálogos inteligentes sem serem exaustivos.

A fantasia inserida no filme é perfeitamente aceitável, uma vez que o Gil volta para a década de 20 e mesmo assim as coisas continuam seguindo seu rumo no tempo real sem nenhuma alteração drástica, essa mudança temporal totalmente aceitável sem nem mesmo parecer fantasia algumas vezes.

O filme ainda traz um leve romance inserido da melhor forma visivelmente possível. Gil está noivo de Inez, de forma resumida, uma mulher chata. E na década de 20 conhece Adriana, que serviu de inspiração para um famoso quadro de Picasso do mesmo período, bela, romântica e que o compreende, ou tenta compreender, da melhor maneira que pode.

Um filme leve com uma carga cultural equilibrada. É possível sentir os ares de Paris ao nosso redor enquanto assistimos ao longa de Woody Allen. É agradável, sem exageros, simplesmente adorável. Com um ótimo elenco que se enquadra perfeitamente na longa em geral, é quase impossível não se sentir em Paris ao assisti-lo. 


Título Original: Midnight in Paris
Direção/Roteiro: Woody Allen
100 minutos - Comédia/Fantasia/Drama
Elenco: Owen Wilson, Rachel McAdams, Tom Hiddleston, Adrien Brody, Kurt Fuller, Mimi Kennedy.
Avaliação: 3,5 / 5,0

sábado, 23 de junho de 2012

Livro: Delírio

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Livro: Delírio (Livro #1)
Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Páginas: 352


Sinopse: Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?.  

Poderia, talvez, descrever Delírio com uma única palavra: previsível.   
Porém, felizmente eu posso descrevê-lo com bem mais que uma palavra, logo, poderei tentar explicar o porquê, de certa maneira, eu me decepcionei com o livro que eu achei que iria gostar tanto. 

Fiquei com vontade de ler Delírio desde da primeira vez que o vi. Ele nem estava com previsão de lançamento aqui no Brasil ainda, cheguei até cogitar lê-lo em inglês, mas então, veio a boa noticía de que seria lançado aqui pela editora Intrínseca. Me animei no mesmo instante que soube, e após o lançamento, comprei o mais rápido que pude. Mas infelizmente, acabei me decepcionando com a estória.

Na distopia de Delírio os cientistas identificaram o amor como uma doença, na verdade, um dos piores maus da humanidade, e após um tempo de o classificarem como doença, acham a cura para o amor delíria nervosa, ou simplesmente amor. Após a cura ser descoberta todo cidadão, ao completar 18 anos, deve passar pela intervenção para receber a cura e finalmente poder ficar livre dos perigos que o amor  delíria nervosa pode trazer.

Agora, tente imaginar um lugar sem amor. Para mim é impossível imaginar um lugar onde o amor não existe, levando em consideração que o amor é o sentimento base de quase todos os outros sentimentos bons, e até mesmo alguns ruins, que sentimos. Em Delírio, vemos que uma sociedade sem amor se torna fria, desprovida de qualquer forma de expressão e obediente até a morte ao governo sem se questionar o motivo de ter de ser assim.

É difícil viver sem amor, e é mais difícil ainda viver cercado por pessoas que não sentem nada.

Delírio é, basicamente, o que você leu na sinopse. 

Acredito que o ponto alto da estória seja a sociedade que a Lauren Oliver criou. A ideia de governo que ela criou realmente funciona muito bem. A censura, toda limitação para que ninguém seja infectado parece ser quase impenetrável.  Porém apesar de todo cuidado do governo para livrar a sociedade da doença há simpatizantes - que são as pessoas que vivem na cidade, de certa forma infiltrados, e fingem concordar com as regras e aceitar a cura, e há os inválidos - que são os que não aceitaram o conceito do amor como doença e fugiram para florestas ou nasceram lá; se essas pessoas forem capturadas elas vão para prisão perpétua ou são mortas.

Dentro desta sociedade conhecemos a Lena, que tem 17 anos e conta os dias para sua intervenção, quando finalmente poderá viver sem precisar se preocupar com a doença. Lena mora com seus tios, pois seu pai morreu e só conheceu sua mãe no início de sua infância, pois apesar de sua mãe ter passado pela intervenção três vezes, não conseguiu ser curada e isso acabou a levando a morte. Por esse motivo Lena tem receio que ocorra algum problema com sua intervenção, e deseja ser curada logo. Lena tentar seguir a risca as regras do governo para que não aja nenhum problema na sua avaliação, ela tenta fazer tudo corretamente para tentar entrar em uma boa faculdade e ser pareada com alguém normal. (Apesar de o amor ser considerado doença, as pessoas ainda precisam se casar. Compreensível.) 

Porém, o inesperado (ou esperado mesmo) acontece, e Lena conhece Alex. (Bom, é de se imaginar que a partir do momento que o amor é considerado uma doença garotos e garotas (não curados) convivam separadamente, logo, Alex é o primeiro garoto que a Lena realmente conhece.) Não muito tempo depois deles se conhecerem de uma maneira um tanto esperada Lena descobre que esta apaixonada. E fim. O livro poderia acabar aí.

Sem exagero algum. O livro começa num ritmo até legal. E depois eu senti ele empacar no romance da Lena com o Alex. Ficou meio meloso e até chatinho. A partir daí minha leitura se tornou um pouco arrastada. Quando eu achava que aconteceria algo... não acontecia. E ficou assim por um tempo. Quando eu voltei a me empolgar com a leitura o livro acabou.

A sociedade criada é boa. Mas passei boa parte do livro sentindo que estava faltando algo que só encontrei no último capitulo. Algumas coisas foram tão previsíveis que eu estava começando a achar que tinha adquirido o dom da premonição. 

Mas não posso dizer que eu não gostei do livro. Eu até gostei. Mas acho que meu maior erro foi criar muitas expectativas. A estória é legal, mas só isso. Infelizmente para mim não foi nenhuma novidade. Não pude deixar de comparar muitas algumas coisas com Feios. Uma das coisas que eu mais gostei no livro foram as citações ao Shhh – Suma de hábitos, higiene e harmonia –  leitura obrigatória que esclarece e ressalta os perigos do amor deliria nervosa.

Em geral, a ideia do amor como uma doença é totalmente aceitável. Em algumas descrições no livro você para e pensa: "nossa, isso realmente parece uma doença". E apesar de ver bastante semelhanças com outras obras, não nego que a ideia foi até original. Mas para mim o que falhou mesmo foi o enredo. De qualquer forma, e apesar dos pesares, eu gostei do final, e quero ler Pandemonium, que é o segundo livro da, até agora, trilogia, e já está sendo divulgado nos EUA.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Livro: Um Dia

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Livro: Um dia
Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca
Páginas: 416


Sinopse:  Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

Um dia é um livro diferente. No decorrer dos capítulos, no decorrer de todos os dias lidos, você percebe que ele faz jus a todos os comentários que estão na capa e no interior do livro.

Em Um dia conhecemos a estória de Emma Morley e Dexter Mayhew, que se conhecerem na festa de formatura na faculdade no ano de 1988. No dia seguinte a noite que se conheceram, cada um deverá tomar um rumo na vida, porém, o que eles não esperavam até então, é que aquele dia os ligará durante todos os outros dias de suas vidas.

Emma é uma garota normal, estudiosa, esforçada, engraçada, idealista, entre tantas outras qualidades. De forma resumida a Emma é uma garota incrível. Porém, ela não se vê bem desta forma, e quando a faculdade acaba ela acaba indo trabalhar em uma lanchonete, esquecendo por hora, os planos que tinha para o futuro. Dexter é totalmente o oposto de Emma, de forma resumida ele é um idiota mimado, egoísta, que pensa que o mundo gira em torno de si. Depois da faculdade Dexter, da mesma forma que Emma, segue em frente com a vida, sem ter ideia do que os próximos anos trará de novo para ele.

Aquela noite após a formatura, mudou o rumo da vida de Dex e Em, pois, por mais longe que eles consigam chegar um do outro, todo 15 de julho, no decorrer de 20 anos, eles são atraídos novamente um para o outro, nem que seja apenas por lembranças, ou o simples pensar de que naquele dia, naquela hora, um deveria estar ao lado do outro.

Em Um dia acompanhamos os vinte anos que se seguem na vida de Em e Dex, sempre no dia 15 de julho. Os altos e baixos, as idas e vindas da vida de dois amigos. Que ora estão de bem, ora nem tão bem assim. Mas seguem a vida sempre se lembrando um do outro, e sempre que podem, até quando não lhes é favorável, estão juntos. E quando não podem, sentem o vazio que só pode ser preenchido pela presença de alguém, que ás vezes é óbvio, mas insistem em fingir não saber quem faz falta.

Um dia tem uma narrativa que flui maravilhosamente bem, o Nicholls foi incrível na maneira de descrever cada dia, no decorrer de vinte anos, e consegui fazer isso colocando detalhes do que ocorreu entre esse período. Sinceramente, ele foi incrível.

A estória é bonita, engraçada e ao mesmo tempo profunda e  tocante,  ás vezes chega a ser tão real que dói. A maneira como as coisas acontecem, te fazem tocer para acontecer tudo ao contrário, em outras vezes é até previsível, porém você consegue se surpreender até com o previsível em alguns pontos.

Os questionamentos que se passam na mente de Em e Dex após concluirem a faculdade, é o questionamento de todos; algumas pessoas podem até negar, mas depois que algo em nossa vida é concluído, é normal vir á mente a pergunta "E agora?", e tudo isso é tão bem explorado no livro, que nos identificamos fácilmente no decorrer da narração.

Mas de toda forma, e mesmo com tantas coisas a se falar da obra do Nicholls, Um dia é sobretudo um livro para provar que um dia não é apenas um dia. Cada dia é único, e por mais qua as vezes alguns inssistam em passar despercebidos sempre temos, ou algum dia teremos, o nosso 15 de julho aquele dia para o qual olharemos e diremos: foi especial.
Alguns dias são normais, outros são extraordinários. Algumas vezes cabe a nós, como personagens principais dos nossos dias, determinar se eles serão uma coisa ou outra.

“Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse te dar só um presente para o resto da sua vida seria este. Confiança. Seria o presente da Confiança. Ou isso ou uma vela perfumada.”

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.” 
Charles Dickens, Grandes esperanças.

domingo, 4 de março de 2012

Livro: Hex Hall

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Livro: Hex Hall (Livro #1)
Autora: Rachel Hawkins
Editora: Galera
Páginas: 303


SinopseHá 3 anos, Sophie descobriu que não é uma menina como as outras. Ela é uma bruxa e, até agora, isso só lhe trouxe alguns... arranhões! Sua mãe fez tudo o que pôde para ajudar: leu o que conseguiu encontrar sobre bruxas, fadas e magia; procurando consultar o pai ausente de Sophie — um poderoso feiticeiro europeu — só quando necessário. Até que a menina atrai atenção além da conta depois de um feitiço de amor poderoso demais... E é seu pai que define a sentença: Sophie deve ir para Hex Hall, um reformatório afastado de tudo e de todos que está sempre de portas abertas para receber qualquer “prodígio” que saia da linha — ou seja, além de bruxas como Sophie, fadas, metamorfos etc. 

"Mamãe diz que devo evitar
Perto do espelho passar;
Ela teme que eu veja escondida
Uma bruxinha comigo parecida
De batom vermelho a sussurrar
Exatamente o que não devo escutar!"

- Sarah Morgan Bryan Piatt

Sophie Mercer descobriu que tinha poderes desde seu aniversário de 12 anos. Depois disso ela nunca foi além de feitiços simples, que não machucavam muito ninguém.  Porém, sua ultima tentativa de tentar ajudar alguém não deu muito certo e ela acabou fazendo um feitiço de amor um pouco forte de mais.
Como consequência,  seu pai - um poderoso bruxo europeu que ela nunca viu na vida - resolveu mandá-la para a Hecate Hall, ou simplesmente Hex Hall, um internato/reformatório para prodígios, como bruxas, metamorfos, fadas, etc.
Sophia nunca havia estado com outros da sua 'especie' antes, então é um experiencia diferente. Mas assim que Sophia chega na Hex Hall, consegue encontrar alguns problemas mesmo sem procurar. Para começar sua colega de quarto, Jenna,  é um vampira, e vampiros não são bem vistos, logo, quando alguns alunos são atacados misteriosamente Jenna se torna a suspeita número um.
As três garotas mais poderosas do colégio já não vão muito com a cara dela; e ela conseguiu adquirir uma queda por Archer Cross que por acaso é namorado de uma das três garotas mais lindas do colégio, mas Sophie não sabia. E ainda tem um fantasma 'diferente' que aparentemente esta seguindo-a.
Com o passar de algumas semanas Sophie começa a se adaptar ao Hecate, porém, suas origens são reveladas aos poucos e ela precisa aprender a lidar com isso também.
E Sophie tem um bom motivo para se preparar muito bem, pois uma antiga sociedade secreta que tem como objetivos destruir todos os prodígios do mundo, incluindo ela, principalmente ela, está mais perto de Hex Hall do que todos podem imaginar.

Hex Hall foi um surpresa e tanto para mim. Eu havia acabado de sair de uma decepção literária, e resolvi pegar esse livro, que já estava há algum tempo na minha estante. Depois que comecei a ler, meu único questionamento foi: 'Porque eu demorei tanto?' Li o livro super rápido, e no final fiquei louca pra continuar lendo a série.
O livro tem uma estória incrível que sofre reviravoltas inesperadas e quando você nem percebe já está super ansioso para descobri o que vem em seguida. A narrativa é super rápida e prática, em nenhum momento cansa o leitor (pelo menos não me cansou). 
O livro começa mais ou menos com uma estória de fantasia adolescente até normal, mas quando menos se espera se torna uma estória de mistério, com alguns toques de suspense que só aumentam a cada virada de página.
A Sophie é um ótima personagem, o livro é narrado por ela, então espere por uma boa dose de ironia, sarcasmo e muito humor pelas páginas de Hex Hall.
Achei o enredo muito bem construído, e todos os personagens muito cativantes, até os mais 'chatos', e por diversas vezes não pude deixar de me lembrar de Harry Potter, só que com toques mais femininos.

sábado, 3 de março de 2012

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

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'The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore' foi o grande vencedor do Oscar (2012) na categoria de melhor curta-metragem de animação. A curta-metragem não dura mais que 15 minutos e faz uma grande homenagem a literatura em geral.

O filme reforça a importância da leitura para nossa imaginação. Salvar os livros e ser salvo por eles também é um trunfo que consegue ser transmitido divinamente.

É uma curta-metragem lindíssima, os efeitos sonoros são incríveis, e a mensagem passada é mais que bela, com certeza não conseguirei expressar metade do que é passado nesses 15 minutos apenas com palavras, então, vocês podem assistir abaixo:


'Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore' de William Joyce e Brandon Oldenburg.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Filme: Waiting For Forever

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"Há um momento na vida, em que ficamos impotentes, impotentes com esperança e confiança."

Will & Emma eram melhores amigos enquanto cresciam, porém, após um incidente trágico na vida de Will, ele e seu irmão precisaram se mudar da cidade onde moravam na Pensilvânia, logo, Will e Emma se separaram. Mantiveram contato por algum tempo, mas logo isso foi deixado de lado. E esse momento era onde cada um devia ter seguido o rumo da sua própria vida.
Porém, Emma nunca deixou de ser a pessoa mais importante da vida de Will, e ele acredita que eles estão ligados desde sempre, então, aonde Emma vai, Will a segue. 
Will não tem casa, não tem carro, não tem um trabalho 'de verdade' e sua roupa sempre é um pijama. Ele sobrevive com o dinheiro que ganha com suas habilidades de malabarista, ele é um tipo de artista de rua.
Mesmo seguindo Emma para todos os lugares, Will nunca teve coragem suficiente para falar com ela e expressar seus sentimentos, mesmo que estes sejam tão fortes, logo, Emma não sabe que é 'seguida'.
Quando o pai de Emma fica doente, ela volta para sua cidade natal, deixando sua carreira de atriz frustrada e sua vida amorosa complicada para trás.
Como sempre, quando Will descobre que Emma voltará para sua cidade natal, ele a segue, mas dessa vez é diferente, ele promete para si mesmo que ira falar com Emma.


Will é inocente, ele não vê mal algum no que faz, e fica feliz em apenas estar no mesmo lugar que a Emma. É um tipo de amor platônico. E com toda essa inocência acredito que ele consiga cativar a todos, é um personagem sensível, amoroso, divertido e apaixonado.
Para mim ele foi personagem central do filme em todos os aspectos. Pois mesmo com toda essa inocência como que de criança, quando ele precisa crescer emocionalmente e seguir em frente, ele o faz.
A Emma também é uma ótima personagem, e apesar de estar passando por dramas familiares e amorosos ela me passou uma imagem de ser forte.

Para quem procura um filme simples, leve e comovente 'Waiting For Forever' com certeza é um ótima escolha.

Desde da última vez que eu procurei notícias do filme ele ainda não havia sido lançado no Brasil, porém, alguns fãs decidiram dar um nome nacional a ele, logo, você pode vê-lo por aí intitulado de 'Te Espero Eternamente'.

"Querida Emma, 

essas duas palavras, "querida Emma", me levam a uma outra época, quando escrevíamos cartas, depois que mamãe e papai morreram. Eu contava sobre os meus novos amigos e minha nova vida. E você me contava sobre como os seus pais estavam felizes. A verdade não é nada. O que você acredita ser verdade é tudo. E eu acreditava que ficaria com você para sempre. Para sempre. Eu levei tanto tempo para escrever para você, porque percebi que fui um tolo. Passei a minha vida toda me enganando. Toda carta que escrevia era uma carta de amor. Como poderia ser outra coisa? Agora posso ver que todas, menos esta, eram ruins. Cartas de amor ruins imploram pelo amor. Cartas de amor boas não pedem nada. Esta, tenho o prazer de anunciar, é a minha primeira carta de amor boa para você. Porque não há nada mais para você fazer. Você já fez de tudo. Já tenho memórias suas que durarão para sempre. Por favor, não se preocupe comigo. Eu sou "perfeitinho", de verdade. Tenho tudo. Se eu tivesse um desejo, seria de que a sua vida desse a você o gosto da alegria que você me deu. Que você sinta o que é amar.
Do seu eterno amigo,
Will."


TÍTULO ORIGINAL: WAITING FOR FOREVER
ELENCO: RACHEL BILSON; TOM STURRIDGE
ANO: 2011 
DURAÇÃO: 95 MINUTOS
GÊNERO: ROMANCE/DRAMA
PAÍS DE ORIGEM: EUA

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Livro: Tão Ontem

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Livro: Tão Ontem
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Galera
Páginas: 316

Sinopse: Você já pensou em quem foi o primeiro a usar a carteira presa por uma corrente ou em quem começou a usar calças grandes demais de propósito? E o primeiro a usar boné virado pra trás? Esses são os inovadores, as pessoas no topo da pirâmide de consumo.
Aos 17 anos, Hunter é um Caçador de Tendências, os segundos na pirâmide. Seu trabalho: identificar o que há de mais novo e bacana para o marcado seguir. Seu modus operandi: apenas observar. Mas a partir do momento que ele conhece Jen, uma Inovadora, ele não consegue ficar sem se envolver. E muito.


Hunter é um Caçador de Tendencias. Ok, agora talvez você pegunte: 'O que raios é um Caçador de Tendências?' Mas tudo bem, ele já está acostumado as pessoas acharem sua profissão estranha, afinal, até ele acha meio estranha algumas vezes. 
Caçador de Tendências é a pessoa que descobre o que vai virar moda, em geral ele trabalha procurando por coisas legais e diferentes que tenham alta possibilidade de ser moda na próxima estação, e encaminham tais descobertas a pessoas influentes que possam fazer a moda de fato acontecer.
Mas, se é assim, alguém precisa criar a moda original, alguém precisar inventar uma coisa legal, meio que sem intenção de que aquilo se torne moda no futuro. É aí que entram os inovadores, que são pessoa que inventam as tendências.

Em uma de suas buscas de rotina, Hunter encontra Jen, uma inovadora. Meio sem intenção os dois começam a conversar e Jen acaba indo parar em uma das reuniões de Caçadores de Tendências junto com Hunter, acaba falando algo que é aceito, mas ao mesmo tempo não aceitam, o que ela pensava que acabaria com o emprego do Hunter acaba abrindo novas oportunidades, mas o inesperado acontece.
Hunter e Jen são convidados para um reunião estranha, porém ao chegar lá não encontram nada a não ser o celular da chefe do Hunter jogado no chão de um galpão abandonado e cercado por diversas caixas do que eles acreditam ser a coisa mais irada que ambos já viram durante toda a vida.

Logo, os dois se encontram em uma busca para descobri onde a chefe do Hunter (Mandy) foi parar, será que ele foi raptada? Será que ela teve uma emergência familiar a precisou largar o celular no meio de um galpão abandonado?
Para descobrir a reposta do paradeiro da Mandy, Jen e Hunter se vêem no meio de uma guerra de consumismo e publicidade que  tem como objetivo desmontar a cultura consumista que vivemos hoje.
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Tão Ontem é um livro que eu estava louca para ler, para conhecer um trabalho do Scott fora das séries, já que é um livro isolado. Nada sobrenatural, nenhuma ficção cientifica, nada do gênero. Porém, uma crítica social forte ao nosso atual padrão de comportamento consumista.
Neste ponto o livro aborda padrões, porque seguimos tais padrões, como as coisas viram moda, como se originam. E tão criativo o modo como o tema é abordado e se encaixa perfeitamente na sociedade.

A narrativa flui envolvendo o leitor, cada capitulo se desenvolve sem problema algum, a estória leve e rapidamente vai ficando completa aos poucos, e no final é tudo resolvido.
Os personagens principais são reais e legais, não são auto depreciativos, nem emotivos, são adolescentes normais, são confiantes quando precisam ser, tem dúvidas quando precisam ter, e tudo segue o curso natural das coisas.
Eu gostei muito do Hunter e da Jen. O livro é narrado em primeira pessoa pelo Hunter. O que torna tudo tão legal, tão hoje. Com certeza um livro que vale a pena ser lido e entendido.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Livro: O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Livro: O Guia do Mochileiro das Galáxias 
- Livro um de uma trilogia de cinco -
Autor: Douglas Adams
Editora: Sextante
Páginas: 156


Sinopse Arthur Dent tem sua casa e seu planeta (sim, a Terra) destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse. 




Arthur Dent - nosso anti-herói - acorda em um dia que devia ser normal, mas quando menos espera está deitado na frente de um trator amarelo que está prestes a destruir sua casa. O que ele não sabia era que dali a alguns minutos sua casa não serviria mais para nada, porque com ou sem trator em pouco tempo ela não existiria mais, nada na terra existiria mais, nem a terra existiria mais.
Mas, graças a seu amigo Ford Prefect, seu amigo e ator desempregado que na verdade é um ET que veio para terra para fazer uma pesquisa de campo do Guia do Mochileiro das Galáxias - um tipo de livro que serve como guia intergalático -, e acabou passando mais tempo do que devia, e que escolheu esse nome porque achava que era um nome normal aqui na terra, e que já sabia que a terra seria destruída naquele dia, Arthur consegue, junto com o Ford, pegar uma carona em uma das naves nos últimos segundos e escapar da destruição da terra. Graças a o Guia do Mochileiro (nem pense em sair da terra sem ele, caso a terra seja destruída em um dia desses qualquer, sabe?) aparentemente, ele sabe exatamente o que fazer, ou não.
A partir daí começa uma aventura pela galáxia, lugares inimagináveis, situações que Arthur não poderia nem imaginar antes, agora estão diante de seus olhos.

Em determinado momento, Ford e Arthur pegam carona (é, outra carona) na nave de Zaphod Beeblebrox, um sujeito de duas cabeça, primo distante do Ford, também é o atual presidente da galáxia, e atualmente é fugitivo por roubar uma coisa muito, muito importante.

Então, a aventura continua. Arthur, Ford, Zaphod e Trillian - eu sei que não falei dela, mas achei que de certa forma seria spoiler, sabe quem ela é antes da hora, o quê ela é, na verdade. - se deparam com um planeta que muitos nem acreditavam que existia e descobrem coisas muito confusas sobre a terra, sobre os outros planetas, enfim, sobre o universo.
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É Considerado um clássico da ficção científica. 
Esse foi um dos motivos que me motivou (?) a começar a ler a série de Douglas Adams. Sem contar com a minha grande curiosidade em relação a diversas coisas, como o famoso 42, 'Don't Panic', e o dia da toalha. É, eu tinha vários motivos para ler esse livro.
Criei altas expectativas? Criei. E infelizmente elas não foram superadas. Porém, apesar disso, eu gostei do livro; não achei nada de extraordinário, mas acho que ele cumpre sua função na vida, no universo e tudo mais. Penso até em um dia relê-lo.
A narrativa do Adams é sob tudo inteligente, sarcástica, irônica e à sua maneira filosófica. Quem somos, para onde vamos... essas coisas, mas tudo com o humor devido.
O autor consegue te deixar curioso para o que vem a seguir. Apesar de ás vezes ter uma linguagem meio física e intergalática, o que é meio óbvio  , é totalmente compreensível, e é quase impossível se perder na estória. Tudo acontece de forma rápida e prática. Você começa a leitura e quando percebe a terra que você conhece hoje já foi destruída.
Enfim, como eu disse antes, eu gostei do livro, ele apenas não superou minhas expectativas; ri muito de diversas coisas, e com certeza lerei os outros livros da série, só acho que não vou criar mais tantas expectativas. 
Se você gosta pelo menos um pouco de ficção científica, você realmente precisa ler esse clássico.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

HQ: Cowboys e Aliens

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TÍTULO: COWBOYS & ALIENS
AUTORES: ROSENBERG, VAN LENTE, FOLEY, CALERO, LIMA
EDITORA: GALERA
PÁGINAS: 100

Todo conquistador acredita que é movido por um poder maior. As ações de um imperialista são sempre justificadas, seja pela necessidade, pela compaixão ou providência divina. (...)

Os Colonizadores Europeus tinham tecnologia superior, porém ainda mais perigoso que isso... acreditavam que tinham o direito - até mesmo o dever de dominar os "Índios selvagens e impiedosos, cuja a regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições."
No prólogo vemos os índios lutando contra os colonos europeus por terras. Os europeus queriam de certa forma 'domesticar' os índios e tomar o território deles. E eles defendiam o mesmo. Dividindo as mesmas páginas do prólogo, percebemos a semelhança entre os colonos europeus e os aliens. Os colonos querem conquistar as terras dos índios, e os aliens querem fazem a mesma coisa com a humanidade e o planeta terra.

Em 1873 no estado do Arizona os índios Apaches lutavam para defender suas terras.
Zeke Jackson, junto com sua companheira Verity foram contratados por um Padre para levar um pequeno grupo de pessoas em segurança para Silver City - uma cidade na qual eles haviam comprado um lote de terras para morar.
Durante a escolta o grupo é atacado pelos Apaches. Zeke, com o objetivos de distrair os apaches segue uma direção oposta a do grupo. Quando está quase sendo capturado, todos ouvem um estrondo vindo do céu assustando a todos.
Logo, Zeke vê a oportunidade de fugir e se esconder.
Os índios descobrem que o que causou o grande estrondo foi uma enorme nave que acabou de pousar, com seres estranhos e bizarros formando sua tripulação.
Os aliens chegam sem medir forças, acabando com alguns índios enquanto outros fogem. O objetivo deles em nosso mundo é implantar uma antena de comunicação para tentar conquistar a terra.
Cowboys & Índios precisam unir suas forças e lutar juntos para tentar salvar o velho oeste e o mundo desta terrível ameaça que são os aliens.

Desde que o filme foi lançado aqui no Brasil eu fiquei com vontade de ler o romance e o HQ, principalmente o HQ. Por hora, vamos dizer que não alcançou minhas expectativas.
O HQ é basicamente a estória resumida e com muitas, muitas coisas diferentes tanto do filme, quanto do romance (que eu ainda não li, mas por resenhas, parece se igualar mais ao filme). Até o momento eu particularmente prefiro o filme.

Porém, o HQ não deixa de ser legal. a qualidade gráfica é incrível, os desenhos são muito bem feitos. A estória se passa rapidamente e quando você menos espera tudo já foi resolvido.

Cowboys & Aliens é uma distração válida para ser lida em uma só tarde.

Confiram o trailer do filme: